“Eu vi coisas que vocês nunca acreditariam. Naves de ataques em chamas perto da borda de Orion. Vi a luz do farol cintilar no escuro, na Comporta Tannhauser. Todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva.”
(Ridley Scott, Blade Runner - 1985)
Frequentemente penso nos que desistiram. Eles estão em toda parte, e não há muito o que conversar com eles. Alguns afirmam já terem dado a sua parcela de contribuição para a humanidade e, frente a isso, não há o que discutir. Eu pensava que este tipo de gente havia entendido sua própria trajetória, e seria uma resposta escapista ou no mínimo filosófica para continuar seguindo a vida à espera da morte.
Ainda há algo fazer, sempre, se você quiser. Se o modo como levamos nossa vida determina a sequência de nossas atitudes e realizações, como podemos pensar que o rumo de nossa existência esteja em outro lugar que não seja em nossas próprias mãos?
A maioria das respostas para as perguntas do dia de hoje estão no dia de hoje. Talvez amanhã, serão respostas vagas e fora de foco. Hoje é um pouco do tempo que ainda temos. Porque é tão difícil enxergar isso? Ninguém sente os dias, meses, anos, décadas trespassarem a impermanência de nossos pensamentos?
No meu parco conhecimento ocidentalizado de nosso tempo acelerado ao máximo, tranbordando novidades inúteis aos borbotões, ainda ouço a retórica intelectual se debatendo, agonizando e clamando liberdade e seu lugar ao sol.
Quem quer viver para sempre? Meu receio é de não sermos capazes de entender e se maravilhar com a dádiva que é a existência de cada ser humano em sua finitude, e que antes, muito antes de nós, tantos se debruçaram a tentar forjar a imortalidade nas crenças apenas para nos distrair de nosso verdadeiro desígnio que é de uma simplicidade absurda.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
Torne seu mundo um lugar melhor para se viver
Certa vez, num engarrafamento que paralizou metade da cidade, estava dentro de um coletivo, e por curiosidade perguntei ao cobrador se ele sabia de algo sobre aquilo. Ele não foi muito gentil, e perguntou se eu não assisti o noticiário da TV. Disse a ele que não tinha costume de assistir televisão, e ele achou que eu estava ironizando.
Sempre achei que as pessoas tem mais a perder que a ganhar gastando seu tempo em frente a uma TV. Com relação aos noticiários televisivos, na imprensa escrita pelo menos, você pode escolher ler ou não. Mas todos andam atrelando casos de vida ou morte a este acesso, que é impossível não se sensibilizar, e diga-se de passagem, é mais que necessário estar bem informado.
A evolução mais significativa da sociedade não aponta para a liberdade? Isso não pressupõe também estar livre de algumas informações, se assim quer a pessoa em questão? Mas como fica a contrapartida? Quando tomamos uma posição ortodoxa com relação a algo essencial, temos que arcar com as consequências quase sempre tão ortodoxas quanto, principalmente quando deturpam o sentido da palavra essencial.
Aparadas as questões de ponto de vista, vamos aos fatos. Não assisti a TV, entrei num engarrafamento, que me atrasou cerca de 1 hora e meia o meu compromisso, foi o preço que paguei naquele dia por estar desinformado. Sobrevivi.
Mas penso em quanta gente foi içada a outros sentimentos nada saudáveis por conta da alta exposição a esta mesma fonte. Se a vida é um jogo de compensações e o julgamento é uma câmara de valores altamente cambiáveis, às vezes o prudente mesmo é se calar, ou se for falar, é bom chegar a questão crucial.
A lenga-lenga vai continuar até não se sabe quando. Os meios de comunicação, atualmente cumprem uma outra função (não cabe discutir que função é essa), mas esqueceram de avisar ao cidadão esta mudança.
Impressiona-me a rapidez com que a vitrine do mundo muda de assunto, e quer uma resposta imediata. Pendem da alegria eufórica à depressão com assuntos bizarros e cruéis, passando por importâncias até, numa frenética exposição das variedades do comportamento humano a ditar a moda e as tendências de tudo o que foi, é e será. É isso que engolimos todo santo dia. É como se despejassem sobre nós diariamente, a história da humanidade até o exato ponto em que nos encontramos, vista pelo o seu lado mais sórdido, é claro.
Frequentemente preciso me lembrar quem sou, quando muitos querem mesmo é esquecer quem são e tantos outros querem ser o que não são. Que tal sermos mais honestos e divagar? Quando não houvesse notícias a ser dadas, os jornais não precisariam circular, o noticiário da TV e de outros meios de comunicação não precisariam ir ao ar e estes profissionais poderiam até ter uma pequena folga. Se bem que o jornalista poderia vir a público e convidar o telespectador a mudar de canal ou fazer algo mais útil.
E se ao terminar um novela, a TV presenteasse seus telespectadores com apenas uma semana de pausa, sem emendar desesperadamente já outra trama? Não. Este mundo não existe. Não são assim que as coisas funcionam.
E se a gente experimentasse não ocupar tanto a vida com a ilusão de que é preciso saber de tudo que acontece. Pense, ao menos pense que algo poderia ser diferente. Mas se no fundo de seu coração, esta diferença não te fizer muito bem, não se preocupe, sem saber, já deu a sua pequena parcela para tornar nosso mundo um lugar melhor para se viver.
Sempre achei que as pessoas tem mais a perder que a ganhar gastando seu tempo em frente a uma TV. Com relação aos noticiários televisivos, na imprensa escrita pelo menos, você pode escolher ler ou não. Mas todos andam atrelando casos de vida ou morte a este acesso, que é impossível não se sensibilizar, e diga-se de passagem, é mais que necessário estar bem informado.
A evolução mais significativa da sociedade não aponta para a liberdade? Isso não pressupõe também estar livre de algumas informações, se assim quer a pessoa em questão? Mas como fica a contrapartida? Quando tomamos uma posição ortodoxa com relação a algo essencial, temos que arcar com as consequências quase sempre tão ortodoxas quanto, principalmente quando deturpam o sentido da palavra essencial.
Aparadas as questões de ponto de vista, vamos aos fatos. Não assisti a TV, entrei num engarrafamento, que me atrasou cerca de 1 hora e meia o meu compromisso, foi o preço que paguei naquele dia por estar desinformado. Sobrevivi.
Mas penso em quanta gente foi içada a outros sentimentos nada saudáveis por conta da alta exposição a esta mesma fonte. Se a vida é um jogo de compensações e o julgamento é uma câmara de valores altamente cambiáveis, às vezes o prudente mesmo é se calar, ou se for falar, é bom chegar a questão crucial.
A lenga-lenga vai continuar até não se sabe quando. Os meios de comunicação, atualmente cumprem uma outra função (não cabe discutir que função é essa), mas esqueceram de avisar ao cidadão esta mudança.
Impressiona-me a rapidez com que a vitrine do mundo muda de assunto, e quer uma resposta imediata. Pendem da alegria eufórica à depressão com assuntos bizarros e cruéis, passando por importâncias até, numa frenética exposição das variedades do comportamento humano a ditar a moda e as tendências de tudo o que foi, é e será. É isso que engolimos todo santo dia. É como se despejassem sobre nós diariamente, a história da humanidade até o exato ponto em que nos encontramos, vista pelo o seu lado mais sórdido, é claro.
Frequentemente preciso me lembrar quem sou, quando muitos querem mesmo é esquecer quem são e tantos outros querem ser o que não são. Que tal sermos mais honestos e divagar? Quando não houvesse notícias a ser dadas, os jornais não precisariam circular, o noticiário da TV e de outros meios de comunicação não precisariam ir ao ar e estes profissionais poderiam até ter uma pequena folga. Se bem que o jornalista poderia vir a público e convidar o telespectador a mudar de canal ou fazer algo mais útil.
E se ao terminar um novela, a TV presenteasse seus telespectadores com apenas uma semana de pausa, sem emendar desesperadamente já outra trama? Não. Este mundo não existe. Não são assim que as coisas funcionam.
E se a gente experimentasse não ocupar tanto a vida com a ilusão de que é preciso saber de tudo que acontece. Pense, ao menos pense que algo poderia ser diferente. Mas se no fundo de seu coração, esta diferença não te fizer muito bem, não se preocupe, sem saber, já deu a sua pequena parcela para tornar nosso mundo um lugar melhor para se viver.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
A Ilusão da Realidade
Podemos legislar sobre o que nem temos a certeza que existe. Podemos fundamentar uma sólida corrente de pensamento baseada em fantasmas e abstrações, e até mesmo provocar uma resposta plausível como um reflexo destas ações neste mundo além da matéria, ou como querem alguns, paralelo à matéria. Sonhamos o sonho da realidade enquanto o espírito engana-se e nem sabe distinguir, nem tampouco nos orientar neste labirinto?
Desçamos do pedestal.
Quando nuvens negras preenchem o vasto horizonte (me refiro ao evento da natureza), entendemos a quem temos que "pedir licença", afinal qual força é capaz de parar a tempestade que se aproxima? Qual força é capaz de impedir que o dia amanheça? Qual força é capaz de fazer o tempo parar? Neste ponto, tudo o que fantasiamos cai por terra. Tudo isso permanece imutável ao nosso nível, e finalmente começamos a entender que todos nós estamos interligados a um destino comum. Impotentes frente a grandiosidade do inescrutável, lançamos um olhar temente para o horizonte e a matéria estelar pensante que nos tornamos não aceita. É muito e ao mesmo tempo, tão pouco.
Não há nada que possamos fazer, não tememos o fim, tememos a constatação recheada de perplexidade de nem conseguir arranhar o entendimento por trás da existência de todos nós.
Os mais sábios dos seres humanos são cegos que inventaram para si mesmos a redoma da realidade e conseguiram nos convencer, argumentando que não existe explicação melhor para o que aqui se apresentou, se apresenta e se apresentará.
Desçamos do pedestal.
Quando nuvens negras preenchem o vasto horizonte (me refiro ao evento da natureza), entendemos a quem temos que "pedir licença", afinal qual força é capaz de parar a tempestade que se aproxima? Qual força é capaz de impedir que o dia amanheça? Qual força é capaz de fazer o tempo parar? Neste ponto, tudo o que fantasiamos cai por terra. Tudo isso permanece imutável ao nosso nível, e finalmente começamos a entender que todos nós estamos interligados a um destino comum. Impotentes frente a grandiosidade do inescrutável, lançamos um olhar temente para o horizonte e a matéria estelar pensante que nos tornamos não aceita. É muito e ao mesmo tempo, tão pouco.
Não há nada que possamos fazer, não tememos o fim, tememos a constatação recheada de perplexidade de nem conseguir arranhar o entendimento por trás da existência de todos nós.
Os mais sábios dos seres humanos são cegos que inventaram para si mesmos a redoma da realidade e conseguiram nos convencer, argumentando que não existe explicação melhor para o que aqui se apresentou, se apresenta e se apresentará.
sexta-feira, 25 de março de 2011
O Terceiro Espelho
A primeira vez que vi meu reflexo, não me reconheci na imagem invertida do espelho. Ainda era muito novo e não sabia que aparência tinha. Apenas depois de alguns movimentos e algumas caretas, dei conta que se tratava de mim mesmo. Foi assim que tirei a primeira conclusão sobre como eu achava que era e como eu realmente era. Mas o que realmente somos nenhum espelho do mundo pode nos mostrar. Este conjunto confuso que vamos nos tornando e nosso reflexo acompanhando de perto a aventura de nossas vidas.
A segunda vez que vi meu reflexo, continuei ainda não me reconhecendo. O tempo havia passado, e mais uma vez eu me distanciei do que um dia achei que era. Um distanciamento entre o que continuava achando e o que havia de fato. Mas, o que havia de fato? Já conhecedor da natureza do espelho que não deveria refletir o que eu queria, pareceu-me agradável que parasse de me olhar neste espelho e procurasse um outro que metamorfoseasse melhor meus pensamentos. Empreendi uma viagem à procura desta espécie de "espelho-oráculo" e ao me deparar com o singular tipo de reflexo que emitia, senti que não estava pronto para suportar o que ali me apresentava, tanto que não me senti refletido ali.
A terceira vez que vi meu reflexo, olhei o fundo dos olhos e percebi as janelas infinitas da existência e este mesmo reflexo me fitou perplexo a me perguntar o que fazia ali buscando respostas exatamente no local onde as perguntas germinam.
A segunda vez que vi meu reflexo, continuei ainda não me reconhecendo. O tempo havia passado, e mais uma vez eu me distanciei do que um dia achei que era. Um distanciamento entre o que continuava achando e o que havia de fato. Mas, o que havia de fato? Já conhecedor da natureza do espelho que não deveria refletir o que eu queria, pareceu-me agradável que parasse de me olhar neste espelho e procurasse um outro que metamorfoseasse melhor meus pensamentos. Empreendi uma viagem à procura desta espécie de "espelho-oráculo" e ao me deparar com o singular tipo de reflexo que emitia, senti que não estava pronto para suportar o que ali me apresentava, tanto que não me senti refletido ali.
A terceira vez que vi meu reflexo, olhei o fundo dos olhos e percebi as janelas infinitas da existência e este mesmo reflexo me fitou perplexo a me perguntar o que fazia ali buscando respostas exatamente no local onde as perguntas germinam.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
O Código Apócrifo
No centro de tudo que existe e do que inexiste, repousa Deus. Na realização de sonhos minúsculos do indivíduo numa situação rotineira ou na força que impede duas galáxias de se colidirem sua força se faz presente. Deus se molda conforme nossas necessidades e se agiganta frente a nossa incompreensão sobre o que achamos não ter o alcance, ou até no que não nos é permitido entender.
Na dúvida que nos acompanhará até o último lampejo da existência, a única e garantida tábua de salvação, quer ao mesmo tempo nos fazer entender o papel secundário que nos é confiado como criatura moldada aos interesses de seu criador ou o livre arbítrio para desafiar toda e qualquer força do universo.
Nas entrelinhas do código da existência humana cabe Deus. E damos a este Deus atributos ora divinos, ora humanos. Se Deus sobreviverá à parte da ótica humana, este mesmo código poderia nos esclarecer. Deus permite estar em tudo, não faz objeções em ser citado em toda sorte de eventos, cultuado como figura máxima de todas as crenças, envolvido em disputas sangrentas eternizadas em livros que ganham novos significados a cada dia, através do labirinto das palavras reforçadas pelo inesgotável fascínio da humanidade em cultuar as diferenças e a predileção pela própria superioridade.
Instinto de sobrevivência intelectualizado pela erudição? Sobre o piso de toda dissertação possível ainda se sustentará um número infinito de outras proposições. A raiz da crença nos parece hoje tão inalcansável e enevoada pela diversidade, que novos tipos de tolerâncias tem se moldado a tais circunstâncias. O fio tênue desta linha de pensamento nos conduz a uma interessante conclusão: até um cético tem direito ao perdão divino.
Na dúvida que nos acompanhará até o último lampejo da existência, a única e garantida tábua de salvação, quer ao mesmo tempo nos fazer entender o papel secundário que nos é confiado como criatura moldada aos interesses de seu criador ou o livre arbítrio para desafiar toda e qualquer força do universo.
Nas entrelinhas do código da existência humana cabe Deus. E damos a este Deus atributos ora divinos, ora humanos. Se Deus sobreviverá à parte da ótica humana, este mesmo código poderia nos esclarecer. Deus permite estar em tudo, não faz objeções em ser citado em toda sorte de eventos, cultuado como figura máxima de todas as crenças, envolvido em disputas sangrentas eternizadas em livros que ganham novos significados a cada dia, através do labirinto das palavras reforçadas pelo inesgotável fascínio da humanidade em cultuar as diferenças e a predileção pela própria superioridade.
Instinto de sobrevivência intelectualizado pela erudição? Sobre o piso de toda dissertação possível ainda se sustentará um número infinito de outras proposições. A raiz da crença nos parece hoje tão inalcansável e enevoada pela diversidade, que novos tipos de tolerâncias tem se moldado a tais circunstâncias. O fio tênue desta linha de pensamento nos conduz a uma interessante conclusão: até um cético tem direito ao perdão divino.
domingo, 15 de agosto de 2010
O Artista
O artista é o único ser capaz de criar em si mesmo um personagem. Em alguns a arte os toma de assalto já nos primeiros minutos de vida, em outros só é despertada muito tempo depois e em outros jamais.
No seu jeito peculiar de ser, o artista julga compreender as profundezas da alma humana, e ser porta-voz da chama acesa, que difere nossa espécie de todas as demais.
A maioria dos artistas tem o ego inflado que o torna incapaz de reconhecer outro artista. E os que são capazes, fingem que não. O artista quer jogar sua arte para o mundo e esperar o reconhecimento, pois entende o quão importante é o seu papel. A arte não precisa ser reconhecida, o artista sim.
Há alguns que pensam ser artistas, e se convencem tão bem disso que são capazes de também convencer sua platéia. Há artistas infiltrados na sociedade desenvolvendo tarefas cotidianas que nada tem a ver com arte.
Há os que dissecam a arte, tentando compreendê-la a luz do intelecto, traçando diretrizes e catalogando as vertentes, buscando mapear o funcionamento desta gloriosa atividade humana.
Alguns perseguem a arte, e acabam encontrando sucesso. Outros perseguem o sucesso e passam longe da arte. O sucesso tem o seu preço, quase sempre muito alto, e dizem que ele sacrifica a arte. Mas a arte não pode ser sacrificada, pois se for sacrificada já não é mais arte.
O artista chama sua arte de trabalho, pois não quer ser confundido com um vagabundo. Mas um vagabundo pode ser muito mais artista do que um trabalhador. Por isso quem trabalha, vive e consegue se sustentar da arte é, na verdade, o maior de todos os artistas, ainda que corra o risco de não ser propriamente um artista.
No seu jeito peculiar de ser, o artista julga compreender as profundezas da alma humana, e ser porta-voz da chama acesa, que difere nossa espécie de todas as demais.
A maioria dos artistas tem o ego inflado que o torna incapaz de reconhecer outro artista. E os que são capazes, fingem que não. O artista quer jogar sua arte para o mundo e esperar o reconhecimento, pois entende o quão importante é o seu papel. A arte não precisa ser reconhecida, o artista sim.
Há alguns que pensam ser artistas, e se convencem tão bem disso que são capazes de também convencer sua platéia. Há artistas infiltrados na sociedade desenvolvendo tarefas cotidianas que nada tem a ver com arte.
Há os que dissecam a arte, tentando compreendê-la a luz do intelecto, traçando diretrizes e catalogando as vertentes, buscando mapear o funcionamento desta gloriosa atividade humana.
Alguns perseguem a arte, e acabam encontrando sucesso. Outros perseguem o sucesso e passam longe da arte. O sucesso tem o seu preço, quase sempre muito alto, e dizem que ele sacrifica a arte. Mas a arte não pode ser sacrificada, pois se for sacrificada já não é mais arte.
O artista chama sua arte de trabalho, pois não quer ser confundido com um vagabundo. Mas um vagabundo pode ser muito mais artista do que um trabalhador. Por isso quem trabalha, vive e consegue se sustentar da arte é, na verdade, o maior de todos os artistas, ainda que corra o risco de não ser propriamente um artista.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
A Indústria de Todas as Coisas
Durante algum tempo, no ápice de minha arrogância, achei que as coisas criaram-se por si mesmas. Ignorava a Indústria de Todas as Coisas. Nada se cria do nada. Até a ínfima realização tem um autor.
Tudo que é líquido, sólido, gasoso, inodoro, transparente, metafísico, importante, irrelevante, tudo é industrializável. E antes, bem antes destes conceitos existirem, a indústria já estava lá, de olho no que potencialmente todas essas coisas eram capazes de gerar: seus produtos e subprodutos.
Onipresente e onisciente julgou que nada é inteiramente inútil ou descartável. Nem era preciso fazer com que todos concordassem, pois para estes também foram criada a indústria dos discordantes, e foi definido que não importa a sua coordenada, e ao contrário de que muita gente pensa, a indústria não vai monitorar ninguém.
Dizem que a Indústria criou nosso desejo de ser diferente e de até se rebelar contra o que nos criou. E a liberdade também foi criada por ela.
Sei, que na hora final quando a Indústria mirar sua flecha certeira, pode ser que ocorra me desviar. Ao fazer este movimento, talvez acerte em alguém inocente. Sabendo que para a Indústria não existe ninguém inocente, posso presenteá-la com um produto que poderá ser engarrafado e rotulado, mas que corre o risco de nunca ser comercializado por falta de mercado. Um subproduto do arrependimento chamado remorso.
Tudo que é líquido, sólido, gasoso, inodoro, transparente, metafísico, importante, irrelevante, tudo é industrializável. E antes, bem antes destes conceitos existirem, a indústria já estava lá, de olho no que potencialmente todas essas coisas eram capazes de gerar: seus produtos e subprodutos.
Onipresente e onisciente julgou que nada é inteiramente inútil ou descartável. Nem era preciso fazer com que todos concordassem, pois para estes também foram criada a indústria dos discordantes, e foi definido que não importa a sua coordenada, e ao contrário de que muita gente pensa, a indústria não vai monitorar ninguém.
Dizem que a Indústria criou nosso desejo de ser diferente e de até se rebelar contra o que nos criou. E a liberdade também foi criada por ela.
Sei, que na hora final quando a Indústria mirar sua flecha certeira, pode ser que ocorra me desviar. Ao fazer este movimento, talvez acerte em alguém inocente. Sabendo que para a Indústria não existe ninguém inocente, posso presenteá-la com um produto que poderá ser engarrafado e rotulado, mas que corre o risco de nunca ser comercializado por falta de mercado. Um subproduto do arrependimento chamado remorso.
domingo, 8 de agosto de 2010
Kalil* e o deserto
(o nome do personagem é uma homenagem ao fabuloso escritor e artista Kahlil Gibran)
1ª parte
Kalil abriu os olhos e o sol do deserto estava no meio do céu.
Ofuscada a visão, cerrou as pálpebras, virou o rosto um pouco para o lado, a fim de poder novamente abrir os olhos em outra direção. Neste momento, percebeu o calor queimando-lhe a pele nua. Assustou-se porque notou que estava completamente nu, deitado na areia que começava a esquentar.
Atordoado e confuso, nada lhe ocorreu por breves instantes. Sendo que o raciocínio não formava idéia alguma, o instinto de sobrevivência tomou conta. Apenas uma vastidão infinita preenchia o horizonte vazio por todos os lados que olhava, monotonia apenas quebrada por leves ventos que jogavam para o alto porções de areia, não deixando o deserto ser um quadro estático. Teve que se levantar, e notou que nem pedras havia naquela paisagem. Estava completamente indefeso e perguntou a si mesmo se era possível manter-se vivo naquelas condições.
Agachou-se e sentiu, que embora a areia quente queimasse as plantas dos pés, ainda era suportável. Posso sair caminhando até encontrar alguém que possa me ajudar. Foi este o seu primeiro impulso. Atravessou algumas dunas e a paisagem não se modificava. Deduziu que talvez estivesse no centro de um grande deserto. Estava mais perplexo que desesperado.
Kalil ponderou: - Talvez tenha força para caminhar por um dia inteiro, e meu corpo suporte a ausência de água e comida por algum período, mas eu preciso pelo menos saber para onde caminhar. Não adiantaria caminhar a esmo, seria o mesmo que andar em círculos, e não havia indicação, nenhuma referência, uma vez que no deserto, a poeira e o vento causa-nos vertigem e todos os lugares parecem exatamente iguais.
Ele poderia gritar, praguejar, falar aos quatro ventos do seu infortúnio, levantar a voz para o céu, clamar por piedade, se desesperar, chorar ou apenas fazer uma oração.
Mas não lhe ocorreu fazer nenhuma destas coisas.
Kalil aceitou seu destino calado, pois naquele momento qualquer coisa seria inútil. Quando findou-se a tarde deste dia e a noite se aproximava, ele começou a entender o grande vazio que representava estar só no meio de um deserto e o quanto estava indefeso e inacessível num lugar tão inóspito. Tentou ao menos reconhecer a beleza do entardecer, nas tonalidades avermelhadas que tomavam conta do horizonte. Mas essa beleza também não encheu seus olhos.
Milagrosamente ele havia escapado do calor escaldante do dia, mas quando a noite começou a soprar os ventos frios, pela primeira vez neste dia pensou na morte. Será muita sorte, se pela manhã ainda estiver vivo, pensou. E à medida que o tempo esfriava, ele se exercitava para não congelar, mas chegou um momento em que exausto, encolheu-se para tentar dormir um pouco e algo o reconfortou por um breve tempo antes de adormecer. Pensou que tudo aquilo talvez não fosse mais que um longo pesadelo, bem real, mas apenas um pesadelo. Era só dormir, e quando acordasse tudo estaria bem de novo.
E dormiu sonhando acordar em casa novamente.
2ª parte
Kalil abriu os olhos e o sol do deserto estava no meio do céu.
Uma leve decepção tomou conta de sua alma. Mas estar vivo já era um consolo. Notou que sua pele não estava ressecada pelo frio ou pelo calor da exposição ao dia anterior. Ainda se sentia com forças para continuar. Mas ao contrário do primeiro dia, olhou fixamente durante muito tempo o sol, como quisesse ficar cego. Ora, estar no deserto, nu e sozinho é o mesmo que caminhar nas trevas. A visão não serve mesmo para alguma coisa aqui. Havia uma ponta de ressentimento nesta constatação. Mas quando olhou para as dunas no horizonte sua visão não estava queimada, e ocorreu-lhe que o sol que olhara fixamente poderia não ser exatamente o sol.
Kalil mais uma vez ponderou: - Passei o dia de ontem tentando encontrar uma forma de sair deste lugar, na minha doce ilusão, achei por bem esperar que tudo isso fosse apenas um pesadelo. Raciocinei como um indivíduo frente a natureza do momento que se apresentou e não fiz o questionamento correto: como cheguei até aqui? Como era minha vida até anteontem?
Tentou se lembrar se esforçando ao máximo, e uma imagem rápida de verdes terras onde passara sua infância veio à sua mente. Subitamente a areia do deserto se esverdeou por menos de um segundo. Kalil se assustou. Olhou novamente fixo para o sol em busca de mais algum sinal. Mas a paisagem não mudou.
Sentou-se na areia e olhou seu corpo nu. Pensou como poderia estar e como chegara até ali. Até se esqueceu que um dia teve roupas, embora isso nem o chegara a perturbar. Começara a lhe parecer que tinha sido sempre assim. Notou que aquela situação não o afetava tanto, quanto no dia anterior. O deserto imensurável a se desenhar à sua frente, infinito e impassível, quanto mais tentasse atravessá-lo.
Ao entardecer Kalil olhou o horizonte avermelhado e lembrou do cheiro de terra molhada. Fechou os olhos e quis sentir este cheiro, mas não encontrava em sua mente aonde ele estava. Compreendeu que havia algo realmente muito errado, e acometeu-lhe uma tristeza vindo de um vazio monstruoso que fizeram brotar lágrimas de seus olhos fechados. Ao tocarem o chão as lágrimas evaporaram e Kalil sentiu o cheiro da terra molhar.
Ainda antes de anoitecer, ouviu alguém chamar seu nome. Chamaram por mais de três vezes. Parecia que fazia muitos anos que ninguém o chamava. Kalil demorou a reconhecer o próprio nome pronunciado em um outro idioma.
Osmi Vieira - Agosto 2010
1ª parte
Kalil abriu os olhos e o sol do deserto estava no meio do céu.
Ofuscada a visão, cerrou as pálpebras, virou o rosto um pouco para o lado, a fim de poder novamente abrir os olhos em outra direção. Neste momento, percebeu o calor queimando-lhe a pele nua. Assustou-se porque notou que estava completamente nu, deitado na areia que começava a esquentar.
Atordoado e confuso, nada lhe ocorreu por breves instantes. Sendo que o raciocínio não formava idéia alguma, o instinto de sobrevivência tomou conta. Apenas uma vastidão infinita preenchia o horizonte vazio por todos os lados que olhava, monotonia apenas quebrada por leves ventos que jogavam para o alto porções de areia, não deixando o deserto ser um quadro estático. Teve que se levantar, e notou que nem pedras havia naquela paisagem. Estava completamente indefeso e perguntou a si mesmo se era possível manter-se vivo naquelas condições.
Agachou-se e sentiu, que embora a areia quente queimasse as plantas dos pés, ainda era suportável. Posso sair caminhando até encontrar alguém que possa me ajudar. Foi este o seu primeiro impulso. Atravessou algumas dunas e a paisagem não se modificava. Deduziu que talvez estivesse no centro de um grande deserto. Estava mais perplexo que desesperado.
Kalil ponderou: - Talvez tenha força para caminhar por um dia inteiro, e meu corpo suporte a ausência de água e comida por algum período, mas eu preciso pelo menos saber para onde caminhar. Não adiantaria caminhar a esmo, seria o mesmo que andar em círculos, e não havia indicação, nenhuma referência, uma vez que no deserto, a poeira e o vento causa-nos vertigem e todos os lugares parecem exatamente iguais.
Ele poderia gritar, praguejar, falar aos quatro ventos do seu infortúnio, levantar a voz para o céu, clamar por piedade, se desesperar, chorar ou apenas fazer uma oração.
Mas não lhe ocorreu fazer nenhuma destas coisas.
Kalil aceitou seu destino calado, pois naquele momento qualquer coisa seria inútil. Quando findou-se a tarde deste dia e a noite se aproximava, ele começou a entender o grande vazio que representava estar só no meio de um deserto e o quanto estava indefeso e inacessível num lugar tão inóspito. Tentou ao menos reconhecer a beleza do entardecer, nas tonalidades avermelhadas que tomavam conta do horizonte. Mas essa beleza também não encheu seus olhos.
Milagrosamente ele havia escapado do calor escaldante do dia, mas quando a noite começou a soprar os ventos frios, pela primeira vez neste dia pensou na morte. Será muita sorte, se pela manhã ainda estiver vivo, pensou. E à medida que o tempo esfriava, ele se exercitava para não congelar, mas chegou um momento em que exausto, encolheu-se para tentar dormir um pouco e algo o reconfortou por um breve tempo antes de adormecer. Pensou que tudo aquilo talvez não fosse mais que um longo pesadelo, bem real, mas apenas um pesadelo. Era só dormir, e quando acordasse tudo estaria bem de novo.
E dormiu sonhando acordar em casa novamente.
2ª parte
Kalil abriu os olhos e o sol do deserto estava no meio do céu.
Uma leve decepção tomou conta de sua alma. Mas estar vivo já era um consolo. Notou que sua pele não estava ressecada pelo frio ou pelo calor da exposição ao dia anterior. Ainda se sentia com forças para continuar. Mas ao contrário do primeiro dia, olhou fixamente durante muito tempo o sol, como quisesse ficar cego. Ora, estar no deserto, nu e sozinho é o mesmo que caminhar nas trevas. A visão não serve mesmo para alguma coisa aqui. Havia uma ponta de ressentimento nesta constatação. Mas quando olhou para as dunas no horizonte sua visão não estava queimada, e ocorreu-lhe que o sol que olhara fixamente poderia não ser exatamente o sol.
Kalil mais uma vez ponderou: - Passei o dia de ontem tentando encontrar uma forma de sair deste lugar, na minha doce ilusão, achei por bem esperar que tudo isso fosse apenas um pesadelo. Raciocinei como um indivíduo frente a natureza do momento que se apresentou e não fiz o questionamento correto: como cheguei até aqui? Como era minha vida até anteontem?
Tentou se lembrar se esforçando ao máximo, e uma imagem rápida de verdes terras onde passara sua infância veio à sua mente. Subitamente a areia do deserto se esverdeou por menos de um segundo. Kalil se assustou. Olhou novamente fixo para o sol em busca de mais algum sinal. Mas a paisagem não mudou.
Sentou-se na areia e olhou seu corpo nu. Pensou como poderia estar e como chegara até ali. Até se esqueceu que um dia teve roupas, embora isso nem o chegara a perturbar. Começara a lhe parecer que tinha sido sempre assim. Notou que aquela situação não o afetava tanto, quanto no dia anterior. O deserto imensurável a se desenhar à sua frente, infinito e impassível, quanto mais tentasse atravessá-lo.
Ao entardecer Kalil olhou o horizonte avermelhado e lembrou do cheiro de terra molhada. Fechou os olhos e quis sentir este cheiro, mas não encontrava em sua mente aonde ele estava. Compreendeu que havia algo realmente muito errado, e acometeu-lhe uma tristeza vindo de um vazio monstruoso que fizeram brotar lágrimas de seus olhos fechados. Ao tocarem o chão as lágrimas evaporaram e Kalil sentiu o cheiro da terra molhar.
Ainda antes de anoitecer, ouviu alguém chamar seu nome. Chamaram por mais de três vezes. Parecia que fazia muitos anos que ninguém o chamava. Kalil demorou a reconhecer o próprio nome pronunciado em um outro idioma.
Osmi Vieira - Agosto 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
A régua para medir diferenças
Para além das crenças, um indivíduo é apenas um indivíduo. Interessa o seu olhar singular e o quanto ele consegue escapar da emolduração massacrante imposta pelas vertentes diversas, o quanto esta mesma pessoa pode contra o labirinto de possibilidades que se descortina a todo momento, ou ao menos, a capacidade de enxergar que isso existe, de fato.
As manifestações artísticas, o trabalho mental, o trabalho braçal, enfim, todas as realizações humanas estão calcadas nas diferenças entre as pessoas. O sonho utópico de igualdade esbarra no quanto cada um acha que merece. Este merecer é baseado na interpretação individual e é uma via de mão-única rumo a realização pessoal.
Afinal, o que queremos? Queremos ter o poder sobre a tal verdade e manuseá-la e descartá-la ao nosso modo. É assim que tudo começa, por isso é tão perigoso chegar perto demais das pessoas. Inconscientemente criamos o nosso personagem para atuar, herói ou vilão, nos armamos deste arsenal de palavras, atitudes e ações nem sempre condizentes com estas mesmas palavras às quais atrelamos nosso modo de ser.
Isto são apenas constatações um pouco além do foco do certo e do errado, conceitos prontos para serem discutidos. As atitudes extremadas denotam a tendência cíclica da imaturidade presente na conduta humana desde sempre.
Evolução nos envoca um conceito longínquo de entendimento de quem somos, e o que podemos fazer, e dentro desta engrenagem, é comum perdemos a noção do todo.
Culpa-se no mundo moderno, a mídia, por esta banalização de fundamentos, mas vejo apenas a potencialização destes antigos ecos, antes restritos a pequenos grupos. Coisas importantes perdendo lugar cada vez mais para as grandes e verdadeiras prioridades no desenvolvimento do entendimento humano pode ser a forma com que tratamos essa degradação.
Acredito que a diferença cria novos parâmetros, e mediante ao nosso grau de imersão, podemos ir criando réguas para medir estas diferenças. Tudo isso se afunila na idéia de que as coisas mudam, e quem sabe, alguns de nós, tenha a coragem de abrir mão de nossas crenças por outras, com a certeza de não estar apenas trocando um deus por outro.
As manifestações artísticas, o trabalho mental, o trabalho braçal, enfim, todas as realizações humanas estão calcadas nas diferenças entre as pessoas. O sonho utópico de igualdade esbarra no quanto cada um acha que merece. Este merecer é baseado na interpretação individual e é uma via de mão-única rumo a realização pessoal.
Afinal, o que queremos? Queremos ter o poder sobre a tal verdade e manuseá-la e descartá-la ao nosso modo. É assim que tudo começa, por isso é tão perigoso chegar perto demais das pessoas. Inconscientemente criamos o nosso personagem para atuar, herói ou vilão, nos armamos deste arsenal de palavras, atitudes e ações nem sempre condizentes com estas mesmas palavras às quais atrelamos nosso modo de ser.
Isto são apenas constatações um pouco além do foco do certo e do errado, conceitos prontos para serem discutidos. As atitudes extremadas denotam a tendência cíclica da imaturidade presente na conduta humana desde sempre.
Evolução nos envoca um conceito longínquo de entendimento de quem somos, e o que podemos fazer, e dentro desta engrenagem, é comum perdemos a noção do todo.
Culpa-se no mundo moderno, a mídia, por esta banalização de fundamentos, mas vejo apenas a potencialização destes antigos ecos, antes restritos a pequenos grupos. Coisas importantes perdendo lugar cada vez mais para as grandes e verdadeiras prioridades no desenvolvimento do entendimento humano pode ser a forma com que tratamos essa degradação.
Acredito que a diferença cria novos parâmetros, e mediante ao nosso grau de imersão, podemos ir criando réguas para medir estas diferenças. Tudo isso se afunila na idéia de que as coisas mudam, e quem sabe, alguns de nós, tenha a coragem de abrir mão de nossas crenças por outras, com a certeza de não estar apenas trocando um deus por outro.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Estatística sobre as estatísticas: uma idéia nada original
Proponho fazermos uma estatística para sabermos um pouco mais sobre estas pessoas anônimas, que ao figurarem nesta pesquisa não serão mais, assim tão anônimas, e estabelecermos novos conhecimentos acerca da natureza destas pessoas as quais entregamos nossas valiosas informações de mão beijada, seus interesses, classes sociais, aspirações ideológicas e por aí se vai.
Este trabalho, que julgo não ser nada fácil, abrirá um discussão. Quem fará esta pesquisa? Se os próprios pesquisadores a fizerem correremos o risco de ter uma pesquisa viciada e altamente tendenciosa. Todos eles serão idôneos, íntegros e dedicados, pois os institutos de pesquisa não deixariam qualquer um representá-los.
O máximo que esta pesquisa revelaria de real, seria o time que cada um torce, a novela ou o filme ou os artistas preferidos. De certa forma esta empreitada não serviria para muita coisa no mundo prático, mas revelaria o lado humano destas pessoas, que aqueles que enxergam conspiração em tudo, chamam de serviçais dos mandantes do mundo.
Mas até que ponto é importante sabermos o lado humano de um pesquisador? Nem sempre é divertido inverter os papéis. É claro, este texto é apenas uma brincadeira e, alheio a minha vontade, ele pode estar a serviço de alguma pesquisa ou estatística.
Este trabalho, que julgo não ser nada fácil, abrirá um discussão. Quem fará esta pesquisa? Se os próprios pesquisadores a fizerem correremos o risco de ter uma pesquisa viciada e altamente tendenciosa. Todos eles serão idôneos, íntegros e dedicados, pois os institutos de pesquisa não deixariam qualquer um representá-los.
O máximo que esta pesquisa revelaria de real, seria o time que cada um torce, a novela ou o filme ou os artistas preferidos. De certa forma esta empreitada não serviria para muita coisa no mundo prático, mas revelaria o lado humano destas pessoas, que aqueles que enxergam conspiração em tudo, chamam de serviçais dos mandantes do mundo.
Mas até que ponto é importante sabermos o lado humano de um pesquisador? Nem sempre é divertido inverter os papéis. É claro, este texto é apenas uma brincadeira e, alheio a minha vontade, ele pode estar a serviço de alguma pesquisa ou estatística.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
O desvio para o sensacional
Os adjetivos exagerados estão na ordem do dia, desde que o poeta disse que tudo era divino e maravilhoso. No fundo tudo é uma questão de semântica, dos variados significados que as palavras podem ter (ou não). Mas o perigo está um pouco mais perto, pois descobriram um novo significado para "contexto". O pote de ouro no fim do arco-íris.
O fantástico deveria causar assombro e o maravilhoso, um brilho nos olhos. A novidade pediria um pouco de cautela. Puro instinto de sobrevivência.
Não é questão de teimosia nem tampouco tradicionalismo. Não tenho nenhum problema com o momento em que a história de nossas vidas se desenrola. Eu e vocês, meus contemporâneos, neste exato momento, estamos muito ocupados com nossos novos jogos de guerras pessoais, e em todo o circo de nossa existência não sobra muito espaço para mirarmos o vazio fora do âmbito da contemplação.
Cabe a cada um eleger seus afetos, mas quando o cardápio nos apresenta um tanto quanto pobre, o desvio para o sensacional encontra aí sua maior brecha. Os sentidos dos desavisados entende a entrada neste corredor de possibilidades mil, e enxerga de lado, o que deveria ser visto de frente. Interpretações errôneas, mistificações e abstrações encontram ecos nesta premissa. Quem tem coragem duvida do induvidável e sorri para o inatingível, quem não tem, se maravilha com bugigangas, e passará desapercebido deste grande espetáculo que é estar vivo.
O fantástico deveria causar assombro e o maravilhoso, um brilho nos olhos. A novidade pediria um pouco de cautela. Puro instinto de sobrevivência.
Não é questão de teimosia nem tampouco tradicionalismo. Não tenho nenhum problema com o momento em que a história de nossas vidas se desenrola. Eu e vocês, meus contemporâneos, neste exato momento, estamos muito ocupados com nossos novos jogos de guerras pessoais, e em todo o circo de nossa existência não sobra muito espaço para mirarmos o vazio fora do âmbito da contemplação.
Cabe a cada um eleger seus afetos, mas quando o cardápio nos apresenta um tanto quanto pobre, o desvio para o sensacional encontra aí sua maior brecha. Os sentidos dos desavisados entende a entrada neste corredor de possibilidades mil, e enxerga de lado, o que deveria ser visto de frente. Interpretações errôneas, mistificações e abstrações encontram ecos nesta premissa. Quem tem coragem duvida do induvidável e sorri para o inatingível, quem não tem, se maravilha com bugigangas, e passará desapercebido deste grande espetáculo que é estar vivo.
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